Tuesday, June 09, 2009
Wednesday, April 01, 2009
Ofélia
É tempo de descobrir em mim a pureza, a doçura, a lealdade, a paixão ingénua. Tempo de deixar para trás Kitris e Esmeraldas, as personagens latinas e sensuais que sempre me deram para fazer. É estranho, de todas as personagens femininas de Shakespeare, mais facilmente me veria a interpretar uma Hécate, o poder e o lado obscuro. Ainda que Ofélia e Desdémona sempre me tenham fascinado, nunca imaginei ter perfil para tais personagens. Nunca, nunca me imaginei como Ofélia, mas hoje percebo, há uma Ofélia dentro de cada mulher, e agora é tempo de descobri-a dentro de mim...
... e levá-la para palco.
(...estou mesmo com a cabeça cheia de Shakespeare...)
Saturday, March 21, 2009
Ouvi Dizer
Foto tirada pela Besta.Tuesday, March 10, 2009
Sócrates em Novela da TVI
De modos que me dei ao trabalho de criar a tal peti(t)ção, e achei que uma boa razão para isso é que todos estamos fartos de um Primeiro-Ministro ficcional. Mas o raio de site disse que já havia uma petição com esse nome (que procurei debalde, olhem que expressão tão gira) ou que o título não era válido. Tentei vários títulos mas apareceu sempre o mesmo erro de merda. Fica para a próxima.
Já agora...
Tenho que demonstrar o meu respeito por tão fabulosa crónica de João Miguel Tavares, que começa assim:
Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina.
Saturday, February 28, 2009
#02
Wednesday, February 18, 2009
a minha maneira
[peco desculpa pela falta de acentos, mas agora escrevo num teclado russo...]
a solidao e desmedida. afastei-me de livre vontade, do mundo que conhecia. foram oito anos, e oito anos ja e algum tempo. desliguei-me por completo, nao atendo chamadas vindas desse mundo, nao respondo a emails e sms, nao apareco no bairro alto e no chiado. afastei-me, porque nao suportava sentir-me julgada, nao suportava as expectativas... aos poucos, fui perdendo a identidade limitadora que tinha formado, ja nao sou a esmeralda, nem a kitri, nem a paquita. agora sou um ser em metamorfose. aconteceram tantas coisas estes meses. entrei num mundo a parte, pediram-me para o guardar. serei capaz? ha tarefas que sao demasiado pesadas para estas costas fortes. e enquanto isso movo-me por entre teatros, palcos e ruas familiares. especialmente por aquela rua onde acabo sempre por ir parar. so no outro dia me lembrei que comecei muitos anos ali mesmo. e depois achei estranho nao me ter lembrado disso antes. entretanto... volto ao mesmo jogo de sempre, mas ja nao sei joga-lo. parece que me esqueci de tudo o que tinha aprendido antes. agora que finalmente precisava de por esses conhecimentos em pratica. enfim, olho a volta, estou na mesma cidade de sempre, aos fins de semana rumo para junto do mar e adormeco a ouvir os passaros chilrear, e nao os carros a acelarar pelas ruas. nesses dias consigo dormir. nao e como aqui, que quando finalmente consigo adormecer, tenho pesadelos. nao. quando vou para junto do mar e do pinhal, a casa cheira a infancia, leio umas linhas de livros da enyd blyton e posso dormir em paz. mas por mais que queira voltar, algo me impede de sair de onde estou, as circunstancias nao o permitem. agora, e tempo de solidariedade, e tempo de ajudar quem precisa de mim. tudo o resto tem de ficar para segundo plano. e isto ja nem me faz chorar. foram demasiadas noites a chegar a casa depois de ter bebido ginjas a mais, depois de ter ouvido coisas inquietantes, noites em que me encostava a porta de entrada, me deixava escorregar para o chao e chorava, chorava porque era a primeira vez que eu nao queria fugir, mas desta vez as coisas nao estavam na minha mao. esquecer... nunca gostei dessa palavra. depois foi o panico, corredores cinzentos de um hospital com vista para o castelo. na noite anterior tinha feito uma viagem pelo submundo, tinha praguejado em russo, voado para longe e aterrado num passeio qualquer desta cidade. e de repente ali estava eu, num hospital, a espera de noticias, chamei pela minha mae, nunca me tinha sentido tao aflita, onde estas mama, preciso que me acalmes... ao telefone, a voz hipnotizante dele a tentar acalmar-me, mas naquele momento nem a sua voz me tocou, nada me tocava, so o sentimento de culpa, que merda de jantar, olhares que se cruzaram, peles que se tocaram, indirectas verbais, e depois o hospital e as suas paredes desesperantes, cinzentas.
boa noite, crianca, descansa em paz, agora que a tua vida se extingiu para sempre.

